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GÊNERO TEXTUAL DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO: OS DESAFIOS NA SALA DE AULA

Posted by on 26 de outubro de 2011

Trabalhar o gênero textual dissertativo-argumentativo no âmbito escolar não é nada fácil. Por um lado vemos que é um processo doloroso para muitos alunos na fase inicial desta tarefa, pois nossas experiências em sala de aula revelam o quanto eles se angustiam, se desesperam quando são cobrados a colocar no papel suas idéias. Por outro lado, cabe ao professor enfrentar também a árdua missão de direcionar e ir abrindo caminhos para que estes alunos comecem a se apropriar desta competência, o que não é, na verdade, um exercício de rápida e fácil aquisição.

No campo da literatura da língua escrita, encontramos um acervo gigantesco de obras que tratam sobre o assunto, e muitos dispositivos teóricos que nos auxiliam de como trabalhar a produção deste gênero, ajudando, assim, os nossos iniciantes produtores de textos a superarem os  desafios que encontram nesta prática.  Sendo assim, é importante que tais conhecimentos sejam dominados por professores que mediam esta tarefa junto aos alunos, na incumbência de  prepará-los com maior  eficiência à confecção de textos escritos. Contudo, este processo não depende apenas do professor, mas também do próprio aluno, o qual deve apresentar interesse, persistência e dedicação para com o trabalho.

Atualmente, observamos que é cada vez maior a necessidade de que as pessoas saibam expressar-se oralmente e principalmente através da língua escrita, por meio  dos vários gêneros textuais que norteiam sua realidade, como forma de mostrarem sua autonomia nos contextos sociais em que estão inseridos. A modalidade escrita, dada as circunstancia de sua produção e a ausência dos interlocutores, requer, neste sentido, maior dinamicidade e criatividade do produtor,  para que  seus objetivos sejam alcançados. Neste intuito, leva-se em conta mecanismos lingüísticos e extralingüísticos, a fim de que o texto adquira sentido e não represente apenas uma mera transmissão de idéias, sem ordenação, clareza e significação para o leitor.

Para que isso não ocorra, é que se deve chamar atenção do aluno para os elementos lingüísticos responsáveis pela concatenação das idéias, enfatizando a importância desses elementos no conjunto da argumentação textual. Tais recursos como os sintáticos, fonológicos e semânticos necessitam, assim, ser apreendidos e bem utilizados pelo produtor, já que são eles  que vão conferir ao texto qualidade, persuasão e Consistência. Deve-se ressaltar ainda a preocupação com o arranjo desses mecanismos na construção da dissertação-argumentativa, os quais não podem ser empregados aleatoriamente no papel, sob pena de tona o texto fraco e ineficiente ao seu propósito.

O aluno ao ser provocado a produzir uma dissertação-argumentativa precisa ter em mente que se trata de um texto com um caráter bem específico, singular, não podendo, portanto, fazê-lo de qualquer forma, caso contrário estará fazendo outra coisa, menos dissertando sobre determinado  assunto, para o qual se  exige posicionamento, visão crítica, defesa, contraponto. O que ocorre com muitos produtores de textos é a falta desta competência, o que resulta  na construção de uma estrutura textual problemática e confusa. O trabalho com o texto dissertativo-argumentativo visto nesta perspectiva pressupõe treinamento, refacção, leitura e releitura, enfim muito cuidado, para que, realmente, o produtor atinja seus objeitvos e faça de seu texto um instrumento viável as suas necessidades.

A idéia do  trabalho com a dissertação-argumentativa na sala de aula é identificar as falhas do produtor, sejam elas de ordem formal ou conceitual.  A identificação desses elementos  vai permitir que saibamos  o estágio em que se encontra cada produtor. Em que nível está sua formação no que diz respeito a língua escrita. Descobre-se seu perfil cultural, sua leitura de mundo, e assim vamos preenchendo as lacunas que muitos apresentam no processo desta modalidade.

Não se deve esquecer de que a dissertação- argumentativa se fundamenta num discurso crítico, dialógico, interacionista com o leitor, o qual  tem uma participação efetiva e ativa no momento da produção textual.  Desta forma, dizer o que se pensa não significa expor no papel tudo o que se quer dizer, mas sim o que naquele momento é pertinente refletir e analisar em parceria com este leitor. Deve-se orientar o aluno para que ele tenha este discernimento e aproveitar o seu texto como base para tais reflexões. Mediar esta tarefa não é fazer com que   aluno mude de idéia ou propósito, mas oferecer-lhe sugestões, pistas  e suportes para que ele possa trilhar novos caminhos, e, cada dia, aprimorar-se  como produtor deste gênero textual.

O texto abaixo, produzido por um aluno da 7ª série, acerca do tema “Como solucionar o problema do bullying na escola?”, mostra-nos um exemplo do trabalho com a dissertação-argumentativa, na sala de aula:

Até onde vai a violência!

Nos dias  atuais, vemos muita violência em todos os lugares, mas a pior violência é o bullying, pois fere as pessoas não só fisicamente, mas também moralmente, um exemplo disso,  é o caso do atirador de Realengo, Wellington Menezes, que assassinou doze crianças. Até onde será que vai toda essa violência?

Muitas pessoas são agredidas todos os dias tanto crianças quanto adultos por conta do bullying, mas o maior índice desse problema é nas escolas, onde os próprios colegas ofendem e batem.

Infelizmente, foi isso que aconteceu com Wellington, o qual depois de muito tempo se vingou assassinando doze crianças, na sua própria escola. A sociedade após essa grande tragédia se pergunta, quais são as medidas preventivas que devem ser tomadas para que isso  não aconteça novamente.

O diálogo sempre será a melhor prevenção  contra o bulliying, pois é no diálogo que se descobre os problemas. É preciso que cada pessoa faça sua parte no sentido de que este tipo de violência seja eliminado.


O texto apresenta um formato condizente ao gênero, tanto na estrutura quanto na linguagem argumentativa, e reflete um pequeno  avanço não somente deste aluno, mas de todos aqueles que têm se dedicado nesta atividade. Algumas dificuldades foram sanadas através do processo de refacção e releitura, mas sem tirar do autor o mérito de suas idéias. Observamos ainda a carência de argumentos mais sólidos e a ausência  de uma visão mais apurada sobre o assunto, entretanto,  entendemos que é num contínuo processo de escritura e reescritura textual que tais dificuldades vão sendo vencidas.

Sabe-se que o aprendizado da produção textual é a soma de várias experiências e práticas que uma pessoa acumula ao longo de sua formação. Enquanto escola, nos cabe a tarefa de desenvolver este processo, preparando alunos potencialmente capazes para o enfrentamento dos desafios de seu tempo, o que se alcança, dentre outras formas, por meio da leitura e da escrita.

Por Prof. Sebastião  Sousa

Pós-graduado em Gênero do discurso e Ensino da Língua Portuguesa

 

 

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